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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Aplausos!!!


Os aplausos cessaram!


Procuro o ponto em que eu estava e que ainda podia ouvi-los!

Quero a fúria que transforma!

Dentro de mim!

tomando de assalto minhas dores,
meus medos!

Quero a raiva intempestiva! 

Quero-a num ataque insano,
devorando minhas entranhas,
as minhas certezas!

Tirando meu chão!

Quero perder o controle do que penso ser eu!


Para que algo novo surja!


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Silêncio !!!


Quero silenciar meus medos
que gritam tão alto!


Ahhhhhh!


Talvez com um grito eu consiga silenciá-los!







Desfazer...



Quero minha pele arrepiada
Minha alma emocionada!


Quero soltar
a lágrima contida!
Em choro emocionado!


Quero aberta a ferida
o grito ecoando ensurdecedor!


Quero ouvidos atentos
A boca ferina!


O sentimento visceral


Quero deixar livre a intensidade de meu sentir
o peito rasgado
o coração exposto
o sorriso fácil em meu rosto!


Quero mandar tudo... 
a merda!


Quero abraço apertado
o corpo colado!
Um beijo molhado!


Quero jogar fora toda minha mobília, 
guardar em um baú todo o meu passado,
ao menos todo aquele que ainda vale ser guardado,
o resto, que não me serve mais há muito tempo
que seja incinerado


Quero começar do zero!


Quero novas lembranças


Novos cheiros!
Novos sabores! 
Novos odores!
Novo olhar!


Quero sentir
O cheiro de banho tomado
no corpo da mulher amada!


Do resto que só tem me sabotado, 
quero definitivamente me livrar!


Quero a pergunta certa!
A resposta exata!
O caminho que me leva pra fora deste labirinto!


Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!










quarta-feira, 11 de abril de 2012

Adiamento


Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não... 
Não, hoje nada; hoje não posso. 
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva, 
O sono da minha vida real, intercalado, 
O cansaço antecipado e infinito, 
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico... 
Esta espécie de alma... 
Só depois de amanhã... 
Hoje quero preparar-me, 
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte... 
Ele é que é decisivo. 
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos... 
Amanhã é o dia dos planos. 
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo; 
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã... 
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo. 
Só depois de amanhã... 
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana. 
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância... 
Depois de amanhã serei outro, 
A minha vida triunfar-se-á, 
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático 
Serão convocadas por um edital... 
Mas por um edital de amanhã... 
Hoje quero dormir, redigirei amanhã... 
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância? 
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã, 
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo... 
Antes, não... 
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser. 
Só depois de amanhã... 
Tenho sono como o frio de um cão vadio. 
Tenho muito sono. 
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã... 
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...



Álvaro de Campos


Isso é um deleite!
Invejo quem escreve com tamanha propriedade!
Talvez um dia, assim de repente eu me aproprie definitivamente de minha alma, de meus pensamentos e de meu sentir.
E possa escrever e descrever todos os meus sentimentos.
Meus anseios!
Meus devaneios!
Os amores que senti!
Os que um dia desejei sentir!
E que se apresentaram da maneira que se apresentaram!
Talvez um dia eu possa descrever como gostaria que fossem!
Talvez um dia eles possam tomar forma e jeito! 

E alegrar o meu peito!
E desenhar em meu rosto um leve sorriso!
Talvez um dia possam trazer a calma e a paz que mereço
E sem tropeços
O coração da mulher amada!