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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A voz de minha alma...

Quando foi a última vez que corri livremente ?

Quando foi a última vez em que tomei banho de chuva, não os que nos pegam de surpresa, mas aquele que permiti ?

Quando foi a última vez em que ri com o riso solto, daqueles que nos encolhem a barriga de tanto que rimos, apenas pelo prazer de rir ?

Quando foi a última vez em que rolei na grama? Que fiz guerra de lama ?

Quando foi que minha alma se esqueceu de ser leve, solta, fácil?

Como posso fazer com que a vida volte a ter vida?

É no deserto onde se encontram minhas reais possibilidades de encontro com o que sou.

Como permitir que o nosso ser natural,intuitivo, instintivo, criativo, sensual, lascivo e inspirado se manifeste?
Como experimentar a vida,de maneira natural?
Sem auto-censura
Afinal o que pode haver de mal em experimentar?

Falar de si, rir de si, sorver com prazer o liquido derramado sobre a mesa, sem travas, sem censura, sem vergonha do ridículo.

Como deixar de ser passional no querer ter algo com exclusividade, e ser passional, agora sim com as coisas da vida ? A todos seus aspectos e nuances, a todas as pessoas com suas culturas, religiões, comportamentos, história.

Como se libertar da superficialidade e as aparências das coisas do mundo que nos iludem?

Como escancarar as portas desta prisão, e permitir que o mais profundo de minha alma se manifeste?

Como ser mais leve em relação as coisas do mundo?

Tenho saudades de meu tempo de menino, as idas para o interior, em Sorocaba, quando as ruas ainda eram de terra,  comer fruta no pé, correr descalço, tomar leite puro na fazenda em Jaguariuna, que acabou de ser tirado da vaca, o fogão a lenha, o pão sovado o café e a manteiga produzidos na fazenda. A coleta do mel em São Carlos e depois se lambusar. Sem se esquecer de comer o favo e depois lamber  os dedos. A Mãe Grande de Cotia. Quer nome mais sugestivo para uma mãe ? Grande e acolhedor.
Aqueles sons e sabores todos, de carinho e de aconchego que ficaram gravados profundamente no cerne de minha alma.
Qundo minha alma tinha liberdade para voar, experimentar.
Onde podia olhar as pessoas com o olhar simples, sem desejo, sem posse, sem mistério, sem julgamento. Apenas com a ingenuidade. As maldades viriam tempos depois.

Sei que minha alma está desconfortável, contida dentro deste envólucro que a acondicionei. Crescendo que está, ocupando todos os espaços, exige liberdade incondicional. O mais breve possível, pois está se sufocando, correndo sério risco de definhar.

O texto a seguir não é meu, desconheço o autor

Apenas um passo

Não importa por quanto tempo você esteja andando para o Norte - com apenas um passo você é capaz de andar para o Sul.

O que é preciso para dar uma volta de 180º na sua vida?

Apenas um passo.

Você está a apenas um passo de uma dieta mais equilibrada, a um passo de melhorar suas finanças pessoais, a um passo de ser um profissional muito melhor, a um passo de ter um relacionamento mais gratificante.

Daqui a um minuto, seus piores problemas podem estar todos atrás de você, ao invés de estarem na sua frente.

Com apenas um passo, o melhor dia da sua vida pode ainda estar por vir, e não estar perdido em algum lugar do passado distante.

Num instante, todas as energias negativas na sua vida podem ser redirecionadas para alguma coisa positiva.

Apenas um passo é necessário para romper a inércia, e dar à sua vida o rumo que você realmente gostaria que ela tivesse.

E lembre-se: sorrindo você conseguirá atingir estes objetivos com muito maior facilidade...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Amor estranho amor

Como se ama de verdade?
Como permitir ser amado, sem se defender?
Me pego refletindo se algum dia em minha vida eu o soube fazer, sem  sentir a necessidade de me proteger.
Me parece que em todos eles estive sempre me preparando para a despedida.
"sabotando toda possibilidade de permanecer por mais tempo"
Na verdade nunca soube lidar com as perdas.
Sempre achei isso inevitável.
Mas na tentativa de doer menos, não me permiti desfrutar do melhor.
Será que o amor que supostamente ofereci, o fiz de verdade? 
Ou foi outra coisa?
Necessidade talvez?
Oportunidade?
Qual a qualidade dos relacionamento que criei?
Algumas pessoas com as quais caminhei, e permiti desfrutar esse suposto sentimento, o nome na verdade não importa,ficaram na distância de meu corpo mas na proximidade de meu coração.
Daquele jeito que me faz sorrir ao lembrar dos momentos vividos juntos.
Daquele que me faz sentir que os momentos em que estivemos juntos, foram costurados de tal forma que não deixaram a cicatriz da despedida ser o fato mais importante desta história.
Sinto saudades deste sentimento.
Na verdade gostaria de ter permanecido por mais tempo.
Ou melhor.
Gostaria de ter mantido estas pessoas bem próximas de mim, se não para desfrutar o contacto de seus corpos ao menos o contacto com suas almas ou como o disse bem, Ana Jácomo.

"E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."

Vida que pulsa

Há muita vida pulsando lá fora!


Algumas vezes me pego olhando o movimento na rua, seus sons ruidosos e desconfortáveis, o vai e vem frenético de pessoas e carros, isso, nos momentos que permito me desligar do que estou fazendo (me dou conta de maneira tão robótica que realizo meu dia).
Acabo me dando conta de que há muita vida pulsando lá fora. Com suas ameaças, riscos e perigos, mas também pulsa tantas possibilidades, alegrias e descobertas.
Podemos encontrar um pouco de tudo, na medida que nos permitimos experimentar este pulsar de vida.
Fico tentando identificar as sombras que me prendem com tanta insistência, impedindo de me levantar para deixar esta vida vibrar em todo meu ser. As sombras que impedem minhas ações.
E por que insisto tanto em me apegar a elas de maneira parece que só existe esta possibilidade?
Por que o medo de sentir medo, parece tão assustador,ao invéz de sentir o medo como sendo parte deste pulsar?
Por que preciso ficar com o sentimento das pessoas que partem, de que não me querem por perto, ao invéz de agradecer pelo tempo que pudemos caminhar juntos e pelo tanto que pudemos aprender um do outro durante esta caminhada?
Por que acreditar que a felicidade e o sucesso, somente devam ser conquistados pelos outros?
Por que da sensação de que as coisas nunca irão dar certo?
E de que elas somente são possíveis para  as pessoas que souberam fazer a coisa certa num determinado momento de suas vidas.
Souberam dar p primeiro passo.
Por que dessa preguiça, que nada realiza?
Por que dessa sensação de que estou sempre fazendo "gambiarras", ao invés de fazer da maneira correta o que tem que ser feito?
Por que a escolha de ficar só, é mais importante do que fazer parte de uma família, uma relação?
Por que este sentimento de que a única possibilidade que me cabe é de ser pequeno diante de todo o resto?
Por que minhas sombras se agarram a estes sentimentos me fazendo acreditar que estas são minhas únicas possibilidades reais?
O que me é permitido viver?
Que todo o mais é cruel e só quer machucar.
Por que me manter preso a estes sentimentos que vão me separar de quem venha a amar, ou me manterão preso a um emprego ou estilo de vida que possam me conduzir aos vícios que minam o sucesso e a felicidade?
Insistentemente repito dia-a-dia o mesmo ritual de manter refém destas sombras que em nada acrescentam de novo em minha vida.
Insistentemente agrego valores externos na tentativa de acreditar que serão eles que irão me salvar, assim que os conseguir conquistar.
Mas como conquistá-los se me coloco de joelhos diante da vida, acreditando que não tenho direito a eles. Deixando sempre para o dia seguinte, talvez?


Pode parecer que tudo isso é depressivo demais.
Mas, isso se faz necessário.
Preciso estar presente e alerta, para poder perceber o quanto estou encurralado. 
Posso tomar medidas proativas para lidar com as sombras que estão me prendendo e tentar me libertar.
Ou lido com elas, ou elas continuarão me controlando.


(o texto em negrito foi tirado do livro - O efeito sombra)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Com o coração - Ana Jácomo

Peço desculpas, se de alguma forma tomo para mim o que foi escrito por outro.
Mas é que de certa forma ela falou tão alto que que me emudeceu.
Me fez ficar calado e me colocou numa viagem interior.
Me fez sentir como se estivéssemos conversando em silêncio, em torno de uma fogueira.
Me senti intimamente ligado.
Mesmo sem conhecê-la, sinto-me intimo de sua conversa, como se nossas almas travassem uma grande conversa, onde a minha mais escuta do que fala.
Que bom para mim.

"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.

Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.

Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.

Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.

Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.
Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."
Ana Jácomo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Percepção

     " Não basta esperar que um novo tempo amadureça. Nós somos esse tempo que se transforma, e que renasce dos restos de um tempo que acaba. Quando espero que um milagre aconteça fora de mim, sou parte do tempo antigo que resiste à mudança. Mas se vivo por inteiro essa resistência, com as cores e formas que ela toma para me enganar, sou parte da transformação que se ensaia, e que está sempre mudando cada coisa devagar"

Luiz Carlos Lisboa


Para tudo existe um jeito de olhar.
Que direção, que sentido tomamos ao que nos acontece todos os dias?
Que escolhas fazemos?
Como tratamos os outros?

Hoje o dia amanheceu nublado, chuvoso. O que naturalmente me remete a um sentimemto melancólico.
Mas que escolhas posso fazer exatamente com a mesma coisa?
De quantas formas e maneiras posso olhar esse dia?
O que posso aprender a meu respeito com esse dia?
Tudo tem a ver comigo.
Não como uma presença onipresente.
Mas a forma como reajo a isso tem a ver comigo, de minha experiência, de minha relação com esse dia.
Só posso falar por mim
Mas com certeza isso também interfere no outro.
Tanto o dia, quanto minha resposta a ele.
Tudo parece se revelar nas entre-linhas de nossa experiência de viver.
Tudo em nossa volta se conecta de alguma forma, e pode nos revelar alguma coisa de nós mesmos.
Os mistérios que imaginamos existir, podem estar sendo revelados todos os dias, em todos os momentos e em todas as nossas experiências.
Talvez sejamos a resposta mais óbvia de todos os mistérios.
Não a resposta revelada de seus segredos.
De como o milagre da vida, se dá.
Mas é preciso fazer com que nossos olhos possam enxergar.
Os olhos de nossa percepção, de nossa alma possam enxergar nas entre-linhas da vida.

É tudo tão sutil.
Ficamos ruminando de maneira egoista sentimentos de inveja, raiva, preconceito, intolerância, medo, entre tantos outros.
Eles ficam em órbita de nossos pensamentos, e vão conduzindo na surdina nossos comportamentos de maneira reativa.
Se pudéssemos transformar em sons esses pensamentos que nos orbitam, provavelmente criaríamos uma profusão de sons. Não de uma maneira orquestrada.

Percebo isso em mim com sutileza, não consigo ser muito explícito.
Mas com certeza isso já provoca uma mudança no meu jeito de olhar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Olhar refletido

 
Sinto-me atraído pelos textos de Ana Jácomo.
Consigo na maior parte do tempo ler meus pensamentos e sentimentos em suas linhas.

Abaixo, mais um pouco dela.

Tenho aprendido que se olharmos mais nos olhos uns dos outros do que temos feito, talvez possamos nos compreender melhor, sem precisar de muitas palavras.
Que uma coisa vale para todo mundo: apesar do que os gestos às vezes possam aparentar dizer, cada pessoa, com mais ou menos embaraço, carrega consigo um profundo anseio de amor. E, possivelmente, andará em círculo, cruzará desertos, experimentará fomes, elegerá algozes, posará de vítima para várias fotos, pulará de uma ilusão a outra, brincará de esconde-esconde com a vida, até descobrir onde o tempo todo ele está.
 O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
(Tirado do texto "Com o tempo" de Ana Jácomo)

Acho que nesta tentativa de uma re-leitura de mim mesmo, encontro nas palavras de outros, as palavras que conseguem traduzir o meu momento.
Estou em busca de minhas próprias palavras,
meus próprios textos.
A expressão livre e clara de minha alma.
De meu sentir.

Aproveito para inserir um outro texto escrito por Depaak Chopra no livro "o Efeito Sombra"

"O medo de rejeição incapacita milhões de pessoas. Ele faz com que o amor não correspondido seja uma trajédia compreendida por todas as culturas.
Espiritualmente, você não pode ser rejeitado, a menos que rejeite a sí mesmo. O julgamento próprio assume várias formas, tais como o medo do fracasso, um senso de ser vitimado, falta de confiança etc.
Na maior parte do tempo há apenas uma vaga sensação de "Não sou bom o bastante", ou "Não importa o que eu conseguir, na verdade, sou um fracasso".
Muitas pessoas deparam com uma falsa solução. Elas desenvolvem uma imagem ideal, depois tentam fazer jus a essa imagem e convencer o mundo de que aquilo é o que são.
A beleza de ter uma imagem ideal de sí mesmo é sentir-se bem com quem você é.
A imagem substitui a realidade dolorosa.
Uma imagem pessoal idealizada não é uma solução viável.
Apenas auto-aceitação é; e, quando isso acontece, não há nada para os outros rejeitarem. Não significa que você será amado universalmente. Outra pessoa ainda pode se afastar, mas, caso aconteça, você não se sentirá rejeitado. Isso não resultará em ferimento emocional.

Demolir a imagem ideal de si mesmo é um desafio, porque ela é uma defesa bem mais sutil que uma simples negação.
A negaçlão é cegueira; a autoimagem idealizada é pura sedução. A saída é passar por todas as imagens. Não há necessidade de defender quem você realmente é. Seu verdadeiro self é aceitável, não poruqe você é tão bom, mas porque você é completo.
O julgamento é constritivo. Quando você rotula a sí mesmo, ou a qualquer outra pessoa, como ruim, errado, inferior, indigno etc., está olhando por uma lente limitada.
Amplie sua visão e ficará ciente de que todos, por mais falhos, são completos e plenos no nível mais profundo."



Através dos caminhos que percorri até agora,
e me trouxe até o meu momento,
fui conduzidos por pequeninas mãos.
o coração em meu peito permaneceu pequeno,
inalterado
os sentimentos não se renovaram,
permanecendo preso às emoções vividas.
Não resolvidas.
A responsabilidade para tão pequeninas mãos é maior do que elas podem suportar.
É hora de substituí-las por outras mãos.
Mais capazes de suportar tamanha tarefa de me guiar,
através do tempo que me resta.
Marcollito

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um jeito de olhar

Há um jeito de olhar que ainda me é incomodo.

Olhar o outro sem medos ou sobressaltos,
Olhar o outro e me encontrar desarmado,
para colher do outro o que for possível ele estar me oferecendo.

Há um jeito de olhar que é terno
Mas este pouco ouso espiar

Há um jeito de olhar que parece um convite
O convite que a vida nos oferece,
e nos brinda todos os dias,
com todas as suas possibilidades.

Para dançarmos ao sabor dos ventos
Para sentirmos com o calor do sol
Para exalarmos com seus perfumes e odores

O convite que ela nos faz, atravéz de um sorriso.

Pouco, ainda sei,
Pouco ouso.
Ainda não me sinto confortável.

Esse olhar é desafiador
Convidativo.
Inebriante.
Assustador.

Na maioria das vezes, mantenho meu olhar aqui dentro
Vez por outra arrisco uma fresta
uma piscadela
Mas no fundo sei que este convite
no fundo
não tardo em aceitar

Faz parte de minha busca
Faz parte de meu caminhar

Fardos inúteis



Conta uma lenda,
que dois monges
que atravessavam uma área deserta
quando diante de um rio violento,
avistaram uma linda jovem
que tentava atravessá-lo sem sucesso.

Um dos monges,
não sem dificuldades, atravessou o rio
e colocando a mulher em suas costas conseguiu atravessar o rio em segurança.
A jovem abraçou-o agradecida,
comovida com o seu gesto e seguiu seu caminho...

Retomando a jornada,
o outro monge que assistiu a tudo calado, repreendeu o amigo,
falando do contato carnal
que houve com aquela joven, da tentação de ter aquele contato
mais direto com uma mulher,
o que era proibido pelas suas leis

e durante um bom trecho do caminho, esse monge falou sobre a mulher
e sobre o pecado cometido
até que aquele que ajudou a jovem na travessia falou:
Querido amigo, eu atravessei o rio com a jovem
e lá eu a deixei, mas você ainda continua
carregando-a em seus pensamentos...

Assim , todos sabem que Deus
não nos dá fardos maiores
que aqueles que podemos suportar,
e muito dos nossos fardos
já poderiam estar abandonados
em outras curvas da vida,
 mas nós insistimos em carregá-los.

Levamos nossas dores
e frustrações ao extremo.
Dramatizamos demais,
elevamos ao cubo cada dor,
cada ofensa, cada contrariedade
e por isso, não conseguimos relaxar,
perdoar ou mesmo ser feliz.
pois o peso que vamos acumulando em nossas costas
são demais para qualquer cristão.




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Uma tentativa de contato com meus mistérios

Talvez em resposta do motivo pelo qual criei um blog seja que, além de ser um homem em busca de sua luz. Seja a de um homem que está entre medos e coragem, aos poucos, olhando para dentro de sí.
E nessa tentativa de coragem desse olhar para dentro, ousar a experiência de vir para fora. Expondo opiniões pessoais.
Desafiando o sentimento de ouvir criticas, sejam elas quais forem.
Ou ainda o pior de todos, correr o risco disso tudo ser indiferente a quem quer que seja.
Para muitos isso pode ser insignificante, mas sei do peso que isso representa para mim.

Não sou erudito, nem poeta, muito menos escritor. Sou apenas um homem comum, semelhante a todos. E que traz consigo somente, a incrível experiência comum a todos, o da existência.
Perdoem os muitos erros de português, que com certeza irão surgir. Tentarei me perdoar também.

" Dos muitos segredos que guardo, há tantos que não ouso revelar nem a mim mesmo"

Li recentemente, e continuo lendo. Acho que virou um livro de consulta. O EFEITO SOMBRA, escrito a três mãos, Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson.
Livro esse, que me foi presenteado por uma pessoa que guardo um enorme carinho, e que parece que soube ler o momento exato pelo qual eu estava passando.
Devo confessar que para mim foi revelador, e me fez perceber o quanto podemos nos sabotar durante uma vida toda, e nem nos darmos conta disso.
O quanto carregamos de nossas emoções e sentimentos passados, como cargas desnecessárias e que apenas dificultam nossa caminhada.
O quanto insistimos em manter aprisionado a criança que fomos, numa tentativa de resgatar e resolver dores, ressentimentos, mágoas vividas. E o quanto nossas ações presentes são motivadas por esses sentimentos.
É preciso aprender a se libertar do passado.
É preciso aprender a perdoar e principalmente a nos perdoarmos, a termos compaixão, por nós e pelos outros.

"O importante é o primeiro passo"


Resolvi aqui, tomar posse de um texto escrito por Ana Jácomo, que retirei de seu blog.
E acredito que ela conseguiu através de seu texto, usar as palavras certas para descrever acredito, não só a mim.

Penso que o sentido de "dar à luz", é o de trazer para a luz, permitir que siga seu caminho, seu destino, suas escolhas, o de realizar-se através de sí mesmo. E de que ao ser trazido à luz, perdemos a sua posse.

Desejo que este texto siga seu destino, acredito que a autora dele compreende isso.

Reencontro


Eu vim aqui me buscar. E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento. Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia.
Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava.
Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.
Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava. Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim.
Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado. Se quisesse crescer no amor.
Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais.
Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez.
Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.

Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.



Texto de Ana Jácomo


Obrigado!


Espero que, a partir deste início. Por possuir todas as semelhanças possíveis com quem quer que seja, por escrever utilizando uma linguagem comum e passível de todos os tipos de erros gramaticais e ortográficos, eu possa partilhar essa minha experiência. Que com certeza, não tem nada de incomum. Afinal fazemos parte de uma mesma experiência humana.
Tentarei ser não muito auto-crítico.




Afinal já me castiguei demais.


Termino com esse texto que recebi por e-mail, e que me parece que foi utilizado por Nelson Mandella em um discurso.

"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida.
É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais assusta.
Nós nos perguntamos: quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso, fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser?
Você pretendendo ser pequeno não serve ao mundo.
Não tem nada de iluminado no ato de se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.
Nascemos para manifestar a glória do espírito que está dentro de nós.
Não está só em alguns de nós; está em todos nós.
E à medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para os outros fazerem o mesmo.
À medida que libertamos nosso medo, nossa presença liberta outros"
(Mandela)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Carta do Cacique Seattle ao Presidente dos EUA (Francis Pearce) em 1855

"Não sei muito bem como iniciar um blog.
Nem tenho ao certo as razões que me fez criar um, e muito menos onde isso irá me levar.
Mas achei que iniciar com esta carta, seria um ótimo começo.
Depois vemos como isso irá continuar


Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinquenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade".

A carta:
"Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A idéia não tem sentido para nós.

    Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

        Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.

    Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

    A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.

    Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.

    Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.

    Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender.

Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

    O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.

    O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

    Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

    Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

    Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento.

    Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.

    Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.

    Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.

    O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

    Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos.

    Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.

    Podeis pensar hoje que somente vós o possuis, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.

    Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

    Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.

    Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver."