Como se ama de verdade?
Como permitir ser amado, sem se defender?
Me pego refletindo se algum dia em minha vida eu o soube fazer, sem sentir a necessidade de me proteger.
Me parece que em todos eles estive sempre me preparando para a despedida.
"sabotando toda possibilidade de permanecer por mais tempo"
Na verdade nunca soube lidar com as perdas.
Sempre achei isso inevitável.
Mas na tentativa de doer menos, não me permiti desfrutar do melhor.
Será que o amor que supostamente ofereci, o fiz de verdade?
Ou foi outra coisa?
Necessidade talvez?
Oportunidade?
Qual a qualidade dos relacionamento que criei?
Algumas pessoas com as quais caminhei, e permiti desfrutar esse suposto sentimento, o nome na verdade não importa,ficaram na distância de meu corpo mas na proximidade de meu coração.
Daquele jeito que me faz sorrir ao lembrar dos momentos vividos juntos.
Daquele que me faz sentir que os momentos em que estivemos juntos, foram costurados de tal forma que não deixaram a cicatriz da despedida ser o fato mais importante desta história.
Sinto saudades deste sentimento.
Na verdade gostaria de ter permanecido por mais tempo.
Ou melhor.
Gostaria de ter mantido estas pessoas bem próximas de mim, se não para desfrutar o contacto de seus corpos ao menos o contacto com suas almas ou como o disse bem, Ana Jácomo.
"E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Vida que pulsa
Há muita vida pulsando lá fora!
Algumas vezes me pego olhando o movimento na rua, seus sons ruidosos e desconfortáveis, o vai e vem frenético de pessoas e carros, isso, nos momentos que permito me desligar do que estou fazendo (me dou conta de maneira tão robótica que realizo meu dia).
Acabo me dando conta de que há muita vida pulsando lá fora. Com suas ameaças, riscos e perigos, mas também pulsa tantas possibilidades, alegrias e descobertas.
Podemos encontrar um pouco de tudo, na medida que nos permitimos experimentar este pulsar de vida.
Fico tentando identificar as sombras que me prendem com tanta insistência, impedindo de me levantar para deixar esta vida vibrar em todo meu ser. As sombras que impedem minhas ações.
E por que insisto tanto em me apegar a elas de maneira parece que só existe esta possibilidade?
Por que o medo de sentir medo, parece tão assustador,ao invéz de sentir o medo como sendo parte deste pulsar?
Por que preciso ficar com o sentimento das pessoas que partem, de que não me querem por perto, ao invéz de agradecer pelo tempo que pudemos caminhar juntos e pelo tanto que pudemos aprender um do outro durante esta caminhada?
Por que acreditar que a felicidade e o sucesso, somente devam ser conquistados pelos outros?
Por que da sensação de que as coisas nunca irão dar certo?
E de que elas somente são possíveis para as pessoas que souberam fazer a coisa certa num determinado momento de suas vidas.
Souberam dar p primeiro passo.
Por que dessa preguiça, que nada realiza?
Por que dessa sensação de que estou sempre fazendo "gambiarras", ao invés de fazer da maneira correta o que tem que ser feito?
Por que a escolha de ficar só, é mais importante do que fazer parte de uma família, uma relação?
Por que este sentimento de que a única possibilidade que me cabe é de ser pequeno diante de todo o resto?
Por que minhas sombras se agarram a estes sentimentos me fazendo acreditar que estas são minhas únicas possibilidades reais?
O que me é permitido viver?
Que todo o mais é cruel e só quer machucar.
Por que me manter preso a estes sentimentos que vão me separar de quem venha a amar, ou me manterão preso a um emprego ou estilo de vida que possam me conduzir aos vícios que minam o sucesso e a felicidade?
Insistentemente repito dia-a-dia o mesmo ritual de manter refém destas sombras que em nada acrescentam de novo em minha vida.
Insistentemente agrego valores externos na tentativa de acreditar que serão eles que irão me salvar, assim que os conseguir conquistar.
Mas como conquistá-los se me coloco de joelhos diante da vida, acreditando que não tenho direito a eles. Deixando sempre para o dia seguinte, talvez?
Pode parecer que tudo isso é depressivo demais.
Mas, isso se faz necessário.
Preciso estar presente e alerta, para poder perceber o quanto estou encurralado.
Posso tomar medidas proativas para lidar com as sombras que estão me prendendo e tentar me libertar.
Ou lido com elas, ou elas continuarão me controlando.
(o texto em negrito foi tirado do livro - O efeito sombra)
Algumas vezes me pego olhando o movimento na rua, seus sons ruidosos e desconfortáveis, o vai e vem frenético de pessoas e carros, isso, nos momentos que permito me desligar do que estou fazendo (me dou conta de maneira tão robótica que realizo meu dia).
Acabo me dando conta de que há muita vida pulsando lá fora. Com suas ameaças, riscos e perigos, mas também pulsa tantas possibilidades, alegrias e descobertas.
Podemos encontrar um pouco de tudo, na medida que nos permitimos experimentar este pulsar de vida.
Fico tentando identificar as sombras que me prendem com tanta insistência, impedindo de me levantar para deixar esta vida vibrar em todo meu ser. As sombras que impedem minhas ações.
E por que insisto tanto em me apegar a elas de maneira parece que só existe esta possibilidade?
Por que o medo de sentir medo, parece tão assustador,ao invéz de sentir o medo como sendo parte deste pulsar?
Por que preciso ficar com o sentimento das pessoas que partem, de que não me querem por perto, ao invéz de agradecer pelo tempo que pudemos caminhar juntos e pelo tanto que pudemos aprender um do outro durante esta caminhada?
Por que acreditar que a felicidade e o sucesso, somente devam ser conquistados pelos outros?
Por que da sensação de que as coisas nunca irão dar certo?
E de que elas somente são possíveis para as pessoas que souberam fazer a coisa certa num determinado momento de suas vidas.
Souberam dar p primeiro passo.
Por que dessa preguiça, que nada realiza?
Por que dessa sensação de que estou sempre fazendo "gambiarras", ao invés de fazer da maneira correta o que tem que ser feito?
Por que a escolha de ficar só, é mais importante do que fazer parte de uma família, uma relação?
Por que este sentimento de que a única possibilidade que me cabe é de ser pequeno diante de todo o resto?
Por que minhas sombras se agarram a estes sentimentos me fazendo acreditar que estas são minhas únicas possibilidades reais?
O que me é permitido viver?
Que todo o mais é cruel e só quer machucar.
Por que me manter preso a estes sentimentos que vão me separar de quem venha a amar, ou me manterão preso a um emprego ou estilo de vida que possam me conduzir aos vícios que minam o sucesso e a felicidade?
Insistentemente repito dia-a-dia o mesmo ritual de manter refém destas sombras que em nada acrescentam de novo em minha vida.
Insistentemente agrego valores externos na tentativa de acreditar que serão eles que irão me salvar, assim que os conseguir conquistar.
Mas como conquistá-los se me coloco de joelhos diante da vida, acreditando que não tenho direito a eles. Deixando sempre para o dia seguinte, talvez?
Pode parecer que tudo isso é depressivo demais.
Mas, isso se faz necessário.
Preciso estar presente e alerta, para poder perceber o quanto estou encurralado.
Posso tomar medidas proativas para lidar com as sombras que estão me prendendo e tentar me libertar.
Ou lido com elas, ou elas continuarão me controlando.
(o texto em negrito foi tirado do livro - O efeito sombra)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Com o coração - Ana Jácomo
Peço desculpas, se de alguma forma tomo para mim o que foi escrito por outro.
Mas é que de certa forma ela falou tão alto que que me emudeceu.
Me fez ficar calado e me colocou numa viagem interior.
Me fez sentir como se estivéssemos conversando em silêncio, em torno de uma fogueira.
Me senti intimamente ligado.
Mesmo sem conhecê-la, sinto-me intimo de sua conversa, como se nossas almas travassem uma grande conversa, onde a minha mais escuta do que fala.
Que bom para mim.
"Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.
Hoje eu não quero falar sobre o quanto o mundo está doente. Sobre como está difícil a gente viver. Sobre as milhares de coisas que causam câncer. Sobre as previsões de catástrofes que vão dizimar a humanidade. Sobre o quanto o ser humano pode ser também perverso, corrupto, tirano e outras feiúras. Sobre os detalhes das ações violentas noticiadas nos jornais. Não quero o blablablá encharcado de negatividade que grande parte das vezes não faz outra coisa além de nos encher de mais medo. Não quero falar sobre a hipocrisia que prevalece, sob vários disfarces, em tantos lugares. Hoje, não. Hoje, não dá. Não me interessam o disse-que-disse, os julgamentos, a investigação psicológica da vida alheia, os achismos sobre as motivações que fazem as pessoas agirem assim ou assado, o dedo na ferida.
Hoje eu não quero aquelas conversas contraídas pelo receio de não se ter assunto. A aflição de não se saber o que fazer se ele, de repente, acabar. O esforço de se falar qualquer coisa para que a nossa quietude não seja interpretada como indiferença. Hoje eu não quero aquelas conversas que muitas vezes acontecem somente para preenchermos o tempo. Para tentarmos calar a boca do silêncio. Para fugirmos da ameaça de entrar em contato com um monte de coisas que o nosso coração tem pra dizer. Além do necessário, hoje não quero falar só por falar nem ouvir só por ouvir. Que a fala e a escuta possam ser um encontro. Um passeio que se faz junto. Um tempo em que uma vida se mostra para a outra, com total relaxamento, sem se preocupar se aquilo que é mostrado agrada ou não. Se aumenta ou diminui os índices de audiência.
Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.
Hoje, me fala de você. Dos momentos em que a vida lhe doeu tanto que você achou que não iria aguentar. Fala das músicas que compõem a sua trilha sonora. Dos poemas que você poderia ter escrito, de tanto que traduzem a sua alma. Senta perto de mim e mesmo que estejamos rodeados por buzinas, gente apressada, perigos iminentes, faz de conta que a gente está conversando no quintal de casa, descascando uma laranja, os pés descalços, sem nenhum compromisso chato à nossa espera. A gente já brincou tanto de faz-de-conta quando era criança, onde foi que a gente esqueceu como se chega a esse lugar de inocência? Fala da lua que você admirou outra noite dessas, no céu. Da borboleta que lhe chamou à atenção por tanta beleza, abraçada a alguma flor, como se existisse apenas aquele abraço. Diz se quando você acorda ainda ouve passarinhos, mesmo que não possa identificar de onde vem o canto. Diz se a sua mãe cantava para fazer você dormir.
Senta perto e me conta o que você sentiu quando viu o mar pela primeira vez e o que sente quando olha pra ele, tantas vezes depois. Se tinha jardim na casa da sua infância, me diz que flores riam por lá. Conta há quanto tempo não vê uma joaninha. Se tinha algum apelido na escola. Se consegue se imaginar bem velhinho. Fala da sua família, a de origem ou a que formou. Das pessoas que não têm o seu sobrenome, mas são familiares pra sua alma. Fala de quem passou pela sua vida e nem sabe o quanto foi importante. Daqueles que sabem e você nem consegue dizer o tamanho que têm de verdade. Fala daquele animal de estimação que deitava junto aos seus pés, solidário, quando você estava triste. Diz o que vai ser bacana encontrar quando, bem lá na frente, olhar para o caminho que fez no mundo, em retrospectiva.
Podemos falar abobrinhas, desde que sejam temperadas com riso, esse tempero que faz tanto bem. A gente pode rir dos tombos que você levou na rua e daqueles que levou na vida, dos quais a gente somente consegue rir muito depois, quando consegue. A gente pode rir das suas maluquices românticas. Das maiores encrencas que já arrumou. Das ciladas que armaram para você e, antes de entender que eram ciladas, chegou até a agradecer por elas. De quando descobriu como são feitos os bebês. A gente pode rir dos cárceres onde se prendeu e levou um tempo imenso pra descobrir que as chaves estavam com você o tempo todo. Das vezes em que se sentiu completamente nu diante de um Maracanã, tamanha vergonha, como se todos os olhos do mundo estivessem voltados na sua direção. Das mentiras que contou e acreditaram com facilidade. Das verdades que disse e ninguém levou a sério.
Não precisa ter pauta, seguir roteiro, deixa a conversa acontecer de improviso, uma lembrança puxando a outra pela mão, mas conta de você e deixa eu lhe contar de mim. Dessas coisas. De outras parecidas. Ouve também com os olhos. Escuta o que eu digo quando nem digo nada: a boca é o que menos fala no corpo. Não antecipe as minhas palavras. Não se impaciente com o meu tempo de dizer. Não me pergunte coisas que vão fazer a minha razão se arrumar toda para responder. Uma conversa sem vaidade, ninguém quer saber qual história é a mais feliz ou a mais desditosa.
Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.
E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."
E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras."
Ana Jácomo
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