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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Percepção

     " Não basta esperar que um novo tempo amadureça. Nós somos esse tempo que se transforma, e que renasce dos restos de um tempo que acaba. Quando espero que um milagre aconteça fora de mim, sou parte do tempo antigo que resiste à mudança. Mas se vivo por inteiro essa resistência, com as cores e formas que ela toma para me enganar, sou parte da transformação que se ensaia, e que está sempre mudando cada coisa devagar"

Luiz Carlos Lisboa


Para tudo existe um jeito de olhar.
Que direção, que sentido tomamos ao que nos acontece todos os dias?
Que escolhas fazemos?
Como tratamos os outros?

Hoje o dia amanheceu nublado, chuvoso. O que naturalmente me remete a um sentimemto melancólico.
Mas que escolhas posso fazer exatamente com a mesma coisa?
De quantas formas e maneiras posso olhar esse dia?
O que posso aprender a meu respeito com esse dia?
Tudo tem a ver comigo.
Não como uma presença onipresente.
Mas a forma como reajo a isso tem a ver comigo, de minha experiência, de minha relação com esse dia.
Só posso falar por mim
Mas com certeza isso também interfere no outro.
Tanto o dia, quanto minha resposta a ele.
Tudo parece se revelar nas entre-linhas de nossa experiência de viver.
Tudo em nossa volta se conecta de alguma forma, e pode nos revelar alguma coisa de nós mesmos.
Os mistérios que imaginamos existir, podem estar sendo revelados todos os dias, em todos os momentos e em todas as nossas experiências.
Talvez sejamos a resposta mais óbvia de todos os mistérios.
Não a resposta revelada de seus segredos.
De como o milagre da vida, se dá.
Mas é preciso fazer com que nossos olhos possam enxergar.
Os olhos de nossa percepção, de nossa alma possam enxergar nas entre-linhas da vida.

É tudo tão sutil.
Ficamos ruminando de maneira egoista sentimentos de inveja, raiva, preconceito, intolerância, medo, entre tantos outros.
Eles ficam em órbita de nossos pensamentos, e vão conduzindo na surdina nossos comportamentos de maneira reativa.
Se pudéssemos transformar em sons esses pensamentos que nos orbitam, provavelmente criaríamos uma profusão de sons. Não de uma maneira orquestrada.

Percebo isso em mim com sutileza, não consigo ser muito explícito.
Mas com certeza isso já provoca uma mudança no meu jeito de olhar.

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